terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

Momentos Route 66

Ultimamente, tenho-me aventurado um pouco pelo universo do youtube e tenho descoberto alguns momentos realmente únicos na música...este é mais um, sem dúvida, e que aqui vos deixo.
O mote do espetáculo é uma homenagem a George Harrison no "2004 Rock`n`Roll Hall Of Fame Show", cuja obra é realmente digna de ser recordada e perpetuada no tempo, tenciono escrever mais tarde alguma coisa sobre ele...A música, a lendária "While My Guitar Gently Weeps", é o motivo de inspiração. Mais uma paragem nesta longa viagem pela música.
Palavras não chegam, só mesmo vendo...enjoy

Momentos Route 66

Num concerto dos Red Hot Chili Peppers ao vivo na " Cigale France 2006" algo de inesperado acontece...reparem na forma como John Frusciante, guitarrista dos Red Hot, se aventura num momento único que ele próprio desconhecera que era capaz...surpreendente a forma como John Frusciante impressiona tudo e todos, inclusive os membros da banda, a quem comunica segundos antes a vontade que tem em interpretar este fabuloso tema dos bee gees. Embora com alguns pequenos enganos, o mérito não lhe é retirado de forma alguma, dado que é a primeira vez que o faz...com o consentimento de todos e confiante em si próprio lança-se para a frente do palco e eis o que acontece...

domingo, 16 de Dezembro de 2007

Tiago Bettencourt – a promessa portuguesa


Será o Tiago Bettencourt o mito sebastianista que vem resgatar o panorama musical português de uma queda qualitativa que vem registando ao longo dos tempos? Fica aqui a pergunta…evidentemente que me refiro apenas ao “pequeno grupo” de músicos que em Portugal se atrevem a escrever em português…algo paradoxo, penso eu…
De facto, Tiago Bettencourt mostra-nos, no seu último álbum “O jardim”, toda a irreverência da música rock portuguesa e em português. Não é o primeiro, mas a verdade é que já não me lembro de um álbum em português tão bem conseguido, desde os primórdios tempos dos GNR a encher recintos, do “Chico Fininho” de Rui Veloso, do “Homem do Leme” do Xutos e Pontapés…onde está o rock em português hoje? (mais uma pergunta que vos deixo).
Voltando ao álbum, todos nós já fomos invadidos pelo single “Canção Simples”, um tema que nos mostra o reverso da Música – a simplicidade. De facto, nada melhor que começar um álbum com uma “tema simples”, cria desde logo uma facilidade de entendimento entre a mensagem musical e os alvos a que ela se destina (nós). A simplicidade impera nos arranjos instrumentais: uma linha de guitarra que acompanha uma voz sussurrante, uma percussão que se utiliza de caixotes, palmas…tudo junto, resulta numa incrível capacidade melódica que nos desperta desde logo a atenção. Segue-se imediatamente um tema de carácter oposto, “A Ponte”. Claramente o lado rock do álbum inicia-se aqui, onde riffs de guitarra eléctrica e uma bateria enérgica conferem ritmo à sonoridade que Tiago Bettencourt tanto procura. “O Labirinto”, acrescenta ao que se vem construindo até aqui, uma boa dose de agressividade. Repare-se no toque magistral com que Tiago Bettencourt quebra toda a pujança do tema referido, culminando na expressão contemplativa dos primeiros versos de “O Lugar”, “hoje à noite o frio está em tudo o que se vê…”, acompanhado de acordes ao piano que nos remetem, desde logo, para um outro lugar, claramente diferente do anterior…A irreverência rock transforma-se, subitamente, numa introspecção sentida. “Os dois”, é um retorno à simplicidade rock, mas fortemente sentido…estamos de facto no domínio do verdadeiro sentido do rock. “Outono”, é um tema, marcadamente, calmo, onde piano, baixo e uma pequena orquestra de câmara que acompanham a voz nos remetem para um universo nostálgico (um outro lado do álbum). Existe nesta faixa, de certo modo, uma aproximação à sonoridade a que Nick Cave nos habituou nas suas últimas obras, mas tal apreciação é meramente subjectiva, deixando a crítica do lado do ouvinte a que me dirijo.
“Voo” alia distorções de guitarra com baixo. É um tema fulminante, expressivo e, ao mesmo tempo, extremamente melódico no refrão, quando o cerne da mensagem se liberta com um suplicativo “leva-me devagar…” em crescendo, atinge o auge nos últimos 45 segundos inteiramente instrumentais. “Amanhã”, são 3:15 minutos de pura irreverência rock. “O Campo”, partilha da mesma linha nostálgica de “Outono”, como exprimindo a ideia de continuidade da natureza, natureza essa que Tiago Bettencourt liga, intimamente, com o amor.
Em “Noite Demais”, é tempo de recordarmos a imagem de Tiago agarrado a uma guitarra acústica, deixada há muito para trás em ”canção simples”. “Noite Demais” é mais uma reflexão nocturna.
A sonoridade eléctrica arrebate-nos, novamente, em “Fim da Tarde”..."A Praia" é toda ela preenchida com uma textura acústica, realçando a presença de um banjo que acompanha a voz em toda a música. "O Jogo", é um tema de típico confronto amoroso que T.Bettencourt tão bem retrata. Quanto à musicalidade é muito bem conseguida, iniciando-se com uma introdução intimista de voz e piano e, posteriormente, com a entrada de cordas, o ambiente reveste-se de exaltação.
Por fim, "O Jardim" que dá o nome ao álbum, é o fechar de uma série de mensagens que vem sido transmitidas e que confluem num espaço...como afirma Tiago Bettencourt "Queremos mostrar isto a mais gente, queremos mais gente para passar neste Jardim e sentir os espaços e os cheiros.
Queremos que quem gostar, fique."
Eu fico...


sábado, 8 de Dezembro de 2007

Abbey Road - o fechar de um ciclo








Abbey Road é, claramente, o ultimo álbum dos Beatles, com toda a carga nostálgica que daí advém. O álbum retrata, na perfeição, a separação de um grupo, unido durante anos por uma causa-a música, a mensagem rock, o virtuosismo dos anos 60.
Abbey Road fechara um ciclo bastante produtivo, inigualável na história da música rock e para sempre recordado pelas gerações que ao som da beatlemania se reveriam na mais variedade gama de desejos, amores, pensamentos e mesmo, numa ideologia.
Mas falando do álbum em si, e em primeira estância quanto à sua estrutura formal, o álbum comporta, claramente, dois lados a que poderíamos atribuir as designações de A e B, conforme dita a lógica do vinil da época. No primeiro lado, deparamo-nos com uma variedade de canções potentes, que vão do virtuosismo rock’n’roll de “Come Together”, até aquela que seria considerada uma das mais belas baladas de sempre, “something”, que revela sem dúvida o toque magistral de composição de George Harisson. Passando pelo psicadélico “I Want You (She’s So Heavy)”, pela súplica de “Oh Darling!”, pelo tom descontraído de temas como “Maxwell’s Silver Hammer” ou “Octupus’s Garden”, da voz de Ringo, termina com um tema de eterna doçura, “Here Comes The Sun” e “Because”, um hino obscuro a quatro vozes…
O lado B, não é mais que um longo contínuo de canções magistralmente ligadas, transmitindo uma longa história, introduzido por “You Never Give Me Your Money”, uma reflexão amorosa onde a capacidade melódica dos Beatles floresce por entre coros, riffs de guitarra e as vozes contrastantes de John e Paul. Um lado B, onde há lugar para uma libertação espiritual de LSD, em “Sun King”, recordando-nos um passado recente do grupo, e adormecendo-nos a mente para logo nos remeter a realidade com um súbito “Mean Mr.Mustard”, um crescente instrumental em “Polythene Pam” que culmina em “She Came in Through The Bathroom Window”, onde mais uma vez o virtuosismo em arrebatar os nossos sentimentos e a potência expressiva dos quatro vem aliada a uma extraordinária capacidade melódica, não quebrando a vivência construída até então.
“Golden Slumbers” é um verdadeiro hino: cordas, piano, baixo introduzem um tom reflectivo da voz melódica de Paul; bateria e sopros revestem a interpretação de um tom exortativo, passando por “Carry That Weight”, que culmina em “The End”, com solos de John, Paul, George e, inclusive, Ringo. Este é o espaço em que as forças sentimentais de todos estão ao rubro…